Ela estreou em 17 de julho na Netflix e já entrou para o top 10 de 9 países. Quando dei o play, sem muita esperança de que fosse gostar, não imaginava que ficaria tão presa à história. Muito menos que choraria como chorei.
Levei apenas uma tarde e meia para assisti-la do início ao fim e terminei com uma sensação que misturava amargura e esperança.
Esta é a história de um luto doloroso e de como superá-lo. É um lembrete para todos nós que estamos enfrentando a dor de uma perda de que a vida continua e é possível seguir em frente. É uma jornada em busca da própria identidade. É atravessar essa dor e permitir que ela faça parte de nós.
E é uma história delicada que nos lembra a sorte que temos de continuar vivos.
Estou falando do novo sucesso espanhol da Netflix, estrelado por Alícia Falcó, Georgina Amorós e Pablo Álvarez, “O Mapa dos Desejos”.
Minissérie de apenas seis episódios, ela nos convida a fazer uma pergunta: é possível amar alguém sem antes amar a si mesmo?
A história acompanha Greta, uma jovem que diz ter nascido para salvar sua irmã Lucy, que sofre de leucemia, graças às suas células-tronco. Mas a vida não segue roteiros e, às vezes, histórias felizes têm finais tristes — e, neste caso, Lucy acaba morrendo.
Greta, que só sabia viver à sombra da irmã e ao lado dela, fica vazia, enquanto a dor da perda destrói toda a sua família.
Antes de morrer, Lucy prepara um jogo que chega às mãos de Greta quando sua irmã já não está mais presente. “O Mapa dos Desejos” é um jogo que leva Greta a enfrentar o luto e descobrir seu próprio caminho ao lado de Will, o misterioso mensageiro que Lucy escolheu para ela, e um jovem que também carrega suas próprias sombras.
Dirigido por Laura M. Campos e Gemma Ferraté e com roteiro de Isa Sánchez, que adaptou o livro homônimo de Alice Kellen no qual a produção se baseia, esse drama é muito mais do que a adaptação televisiva de um best-seller.
É mais uma prova de que levar um livro para a televisão pode ser um negócio muito lucrativo.
O fenômeno não é exclusividade de “O Mapa dos Desejos”. Na Espanha, em 2024, uma em cada quatro séries lançadas (24,79%) era baseada em uma obra literária.
O mesmo aconteceu com um em cada seis filmes (16,2%), segundo dados do Instituto Francês na Espanha e da consultoria Culturia.
Agora, essa tendência se intensifica, e vemos cada vez mais não apenas adaptações de livros como “O Morro dos Ventos Uivantes”, mas também de obras voltadas ao público jovem, como “O Mapa dos Desejos”, da Netflix, ou “A Hipótese do Amor”, que chegará ao Prime Video em setembro.
Esta minissérie é uma prova de que as histórias juvenis não ficam restritas aos livros quando o objetivo é conquistar a Geração Z. Quando chegam às telas, elas são capazes de roubar o coração de todos nós.